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Resident Evil 3 ganha nova versão

No começo do ano passado, o remake de Resident Evil 2 caiu como uma bomba. Revigorou por completo os fundamentos deixados pelo criador da franquia, Shinji Mikami, num longínquo 2005 com Resident Evil 4, recriou cenários icônicos, como a delegacia de Raccoon City, e reintroduziu personagens simbólicos, como Leon e Claire, a toda uma nova geração. O triunfo foi total. Ou quase. Agora, pouco mais de um ano depois, algo semelhante é sugerido a Resident Evil 3, mesmo sem o Nemesis no título. Já foram vinte anos do confronto heroico de Jill Valentine não só com a aberração biológica, mas também com a megacorporação Umbrella, dona de Raccoon City. “Se ao menos eles tivessem coragem para diz a ex-S.T.A.R.S. em seu impactante monólogo no início do jogo original….

A maior pandemia já vista

É importante contextualizar, assim como lembrar é viver: em 1999, o mercado multimidiático e de entretenimento estava em polvorosa —teria sido o bug do milênio o responsável pela explosão criativa da época? Resident Evil já era um fenômeno de vendas e a Capcom procurava tirar o máximo de proveito possível do momento. Yoshiki Okamoto, o então produtor responsável pela franquia, gerenciava diversos projetos: Resident Evil 0 para Nintendo 64, um tal novo capítulo numerado na Europa, uma nova visão em primeira pessoa a série e uma ideia menor, mais experimental e até indie. O que viria a ser Resident Evil 3: Nemesis, nasceu como um jogo de sobrevivência na cidade sitiada, com total inspiração no seminal filme A Noite dos Mortos-Vivos, de 1968. Razões contratuais trouxeram a heroína do primeiro jogo, Jill Valentine, para os holofotes, com storyline bem definido: dar fim ao arco em Raccoon City

O novo Resident Evil 3 acerta em cheio ao fazer de Raccoon City sua maior fonte de inspiração. Graças ao poderio técnico da RE Engine, é possível mergulhar em um nível de detalhamento quase sem precedentes. Fãs do original encontrarão uma infinidade de minúcias, sempre ladeando novidades muitíssimo bem-vindas na antes pacífica cidade. Estamos no coração da hecatombe zumbi e “a pandemia se espalhou mais rápido que qualquer outra na história moderna…”, como noticia desesperadamente a repórter no início do jogo. Qualquer relação com a realidade não é mera coincidência?
prólogo de Resident Evil 3 já figura entre os grandes momentos da franquia. Há surpresas o suficiente para entusiasmar até aos mais criteriosos, e a forma como o roteiro nos reapresenta à icônica Jill Valentine, sem dúvida uma das personagens mais populares dos videogames, é nada além de memorável. Mais acertada ainda é a decisão de trazer Nemesis, a monstruosidade da Umbrella cujo único objetivo é exterminar os dois membros restantes da já desmantelada unidade especial S.T.A.R.S., logo cedo na aventura. O tom irrecuperável é dado, assim como o produtor Masachika Kawata havia apontado: há mais ação dessa vez, mas isso não significa que o terror seja tolhido por consequência. Afinal, a tensão é algo inerente a quase toda jornada de Jill nessa espiralada infernal de mãos dadas a cidade-cobaia da Umbrella. O novo Resident Evil 3 acerta em cheio ao fazer de Raccoon City sua maior fonte de inspiração. Graças ao poderio técnico da RE Engine, é possível mergulhar em um nível de detalhamento quase sem precedentes.

 

 

 

Parasitas e tiranos

Nessa fuga descontrolada, você usa fintas úteis para lidar com a mortualha trôpega, e é um alívio ver como o comando do jogo original funciona tão bem quanto o botão dedicado a isso. Há inevitáveis interações com objetos de cenário, como barris de combustível, baterias energizantes e geradores distribuindo choques. Jill, totalmente consciente dos reais responsáveis pelos catastróficos eventos desencadeados em Raccoon City, se depara com membros da U.B.C.S., uma espécie de unidade especial da Umbrella designada para conter a situação e salvar civis. São mercenários cujo intento designa-se aos espólios e nada mais. Ou estaríamos todos enganados?

A participação do Cabo Carlos Oliveira, subalterno tanto do Capitão Mikhail Victor quanto do Sargento Nicholai Ginovaef, é um tanto mais acentuada, até ríspida. Carlos figura em momentos icônicos do jogo original e também deste, tornando-se ainda mais reconhecível e marcante desta vez. A figura nefasta de Nikolai paira em cada ação inescrupulosa confrontada por Jill, mas há algo ali que coloca todos no mesmo vagão de um trem desgovernado: Nemesis. Dentre as criaturas mais icônicas dentro e fora de seu ambiente de origem, o Tyrant em simbiose com o parasita NE-alfa trouxe, há mais de 20 anos, vida nova ao conceito de “protagonista indefeso”.

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